sábado, 21 de janeiro de 2012

Tipos insuportáveis

1) O educado. O educado é uma pessoa que não quer encrenca com ninguém e tenta sempre tratar a todos com a maior educação. E mesmo que algum ignorante venha a lhe incomodar, o educado sempre consegue dar um jeito de ser gentil. Ainda mantém a sua própria opinião, diferente do caso a seguir - o cara legal - , mas sempre ressalta que RESPEITA TODAS AS OPINIÕES, embora tenha a sua. O educado é um saco. A categoria mais próxima deste é o "cara legal".
2) O cara legal. Um dos tipos mais inoportunos. Não sabendo o que fazer para agradar, invariavelmente ele compartilha com afinco das tuas opiniões, seja ela qual for. Se teu time é vermelho e o do cara legal for azul, ele vai dizer que, neste caso TU TENS TODA A RAZÃO. Além de sempre concordar contigo, este espécime também jamais perderá a oportunidade de ficar calado e sempre terá um comentário 'muito massa', mas muito massa mesmo, para fazer sobre as tuas opiniões. Personalidade é o que não há. Delírio a dois é psicose pouca.
2.1) O cara legal II: o correto. Possui características dos anteriores, mas é mais legal ainda, pois tem opinião própria (sempre a mais senso comum) e também é sincero, o que o torna dos tipos mais sacais. Tudo está sempre bom, divino e maravilhoso, claro, porque as criancinhas na África sofrem e ele se sente abençoado por comer pão todos os dias - mesmo que tenha sido sovado pelo coisa ruim. Ele(a) está sempre bem, ainda que pense nos males do mundo. Certamente já realizou a sua boa ação do dia, sempre sabe os conselhos certos para te dar (os mais inúteis e clichês, claro) e é um cara sincero, até demais, pois não é correto mentir, nem que seja sobre futilidades. Ex: alguém fez uma plástica no nariz. O sincero-legal (diferente do super sincero, um tipo mais grosso) diz "ai mas eu achava bem charmoso aquele teu defeitinho", sempre no diminutivo, pois ele é legal, legal demais. Depois do cidadão ter pago muitos reais, ter quebrado a cara - literalmente - , o cara legal e sincero vem e diz isso. Também é desnecessário dizer que ele é politicamente correto, pois tudo que carrega o adjetivo 'correto' este cidadão se enquadra. É o campeão entre os malas. Perto dele está o super sincero.
3) O super sincero. Ele se acha o mais foda e se tu não compartilhas da mesma opinião, certamente é porque tu "és um hipócrita medíocre". O super sincero vai além da sinceridade do legal-sincero, ele simplesmente perde o amigo pra não perder a sinceridade, perde a dignidade, a piada e tudo mais. SEMPRE tem uma opinião (contrária, certamente) a todos os acontecimentos, mesmo que o acontecimento tenha sido tu teres matado uma barata. Está na categoria "poderia ter nascido mudo".
4) O cult. Este, impressionantemente, nunca sai de moda. Ele entende de toda história do cinema do Kasaquistão, Romênia e Sri Lanka - sim, tem cinema lá. Não sabe falar português, mas exaltá-lo de forma insuportável. Palavras como "elucubrações, esfuziante, revelador" (embora pareçam palavras comuns o cult as diz simplesmente pra informar que vai ao banheiro) são as mais utilizadas por este tipo. Palavras como "legal" ou "bom" não existem em seu dicionário pois não traduzem todo o êxtase do ser cult. Seus discursos geralmente duram horas em função de descrições totalmente dispensáveis como: "A fabulosa atriz Fulana, dos filmes tal e tal dos diretores excelentes da nova safra do cinema, fulano e cicrano, estava esplêndida no último longa do paquistanês Tal, numa interpretação super  intimista e intensa da personagem feita da adaptação da obra do fantástico Fulano... ad infinitum." Isso tudo para dizer que a atriz tal estava excelente no seu último filme.  Não preciso dizer que são dois pés no saco. Isso quando não está de muletas.
5) O rebelde do facebook. Geralmente posta todos os vídeos contra a corrupção no país, mas fica caladinho quando acontece algo dentro do seu trabalho, seja lá qual for o ambiente, mas lá está ele se rebelando contra a política do país, enquanto engole sapos todos os dias e dá abracinhos nos colegas com menos ética que ele. Super legal, se dá bem com todo mundo, não se incomoda em ignorar pessoas em uma posição hierárquica menor que a sua, mas ainda assim, não cria grandes conflitos, a não ser, óbvio, no facebook, contra aqueles que não tem contato direto. É um lindo!
6) O grosso. É grosso. E ponto. Assim mesmo. Não se sabe por que, mas ele canta com orgulho "me chamam de grosso, não tiro a razão" porque assim ele é. Não, nem ele sabe por que, porque isso NÃO TE INTERESSA. E ponto.

Beju da Gorda

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ausência

Às vezes fico tão ausente quanto papai noel. Eu e grande parte das pessoas. Então vem o Natal, com sua árvore, seus presentes, suas dívidas no cartão de crédito e aquele sorriso. Falso, claro. Noites de Natal me cansam. É a obrigação de estar bonita, bem arrumada e feliz. Base, rímel e blush + vestidinho bonitinho + carinha feliz. Uma m... 
Hoje só o que eu recolhi de papéis de presentes, embalagens plásticas, caixas... foi algo absurdo. Daí eu penso, pra que tudo isso? É legal ganhar presentes, acho ótimo, todo mundo gosta, mas na noite de Natal é uma obrigação. As crianças esperam a noite de Natal pelos presentes. Que saco! Os presentes que eu mais gostei de dar foram assim, simplesmente por querer, sem data, sem obrigação. O que pode ser melhor do que um telefonema pra um amigo pra dizer que o ama? De simplesmente "chegar" e dar um abraço e ir embora, assim, sem mais. A vida seria tão mais interessante se fosse bem assim "sem mais". Muitas vezes ganhei presentes assim e, sem dúvida, foram os melhores. E todos eles se baseavam da gentileza de estranhos que hoje são grandes amigos e outros, que nem o nome mais sei. Mas hoje em dia, nada pode ser mais nobre e mais elegante do que a gentileza, o cuidado, tão ausentes atualmente... Qualquer coisa que demonstre que o ser humano ainda tem algo de grande é ainda o melhor presente de todos. Com o sem papel, com ou sem cartão, com ou sem data. Porque os dias especiais não estão marcados previamente no calendário, eles são inesperados, surpreendentes e insuperáveis. Em nenhum deles teve o papai noel.
Beju da Gorda

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tcherere-tchê-tchê

Olha, tem coisa que eu não entendo. As "coisas" classificam-se em: comuns, legais, inesperadas, extraordinárias, fantásticas, espantosas, dignas, válidas, bonitinhas-mas-ordinárias, outras apenas ordinárias... mas tem aquelas que são inexplicáveis:
1) Michel Teló.
2) Gustavo Lima... e você - tchere-re-tche-tche
Eu poderia voltar à Claudia Leite, vencedora do troféu Sem Sal -  2011 até a eternidade - , mas mestre Skylab mandou bem e eu jamais falaria melhor: "eu queria estar lá (rock in rio) pra cortar aquela corda (corda em que a Claudia leite estava suspensa)".  Skylab cada vez mais meu mestre.
Mas voltando ao primeiro item - Michel Teló. Por favor, ninguém se chama Michel Teló. Nenhum corretor gramatical aceita "Teló" que porra é "Teló"? É uma mistura de telha com Jiló? Não combina. Não remete a nada, é algo tão sem sentido que não possui razão de existir - assim como a música. E depois, se fosse José Teló, até que rolava uma interação, mas "Michel" e "Teló" são coisas quase contradizentes - pois se chegassem a ser contradizentes já era um início. Também não é o caso de serem contrastantes e resultar em algo esteticamente aceitável; tampouco se completam, como queijo e goiabada, arroz e feijão: não existe aceitação pra Michel Teló. Um nome como poucos que diz tudo sobre a música que ele canta. Tá, "música", nesse caso,  foi uma bondade imensa da minha parte, mas eu também tenho meus momentos de Madre Teresa. Fato. Mas enfim, ninguém na mesma vida poderá se chamar Michel Teló e manter a dignidade. Ok, Michel, perdoado nesta vida.
Gustavo Lima é só mais um, não merece perdão. Nem explicação. Não há nada relevante que justifique o esforço. Definitivamente.
Meu pequeno ódio começou quando hoje, a TV ligada e passou TRÊS vezes a propaganda dos novos sucessos: "delícia assim você me mata, ai se eu te pego" (TELÓ, Michel, 2011). seguido de "gustavo lima e você" (LIMA, Gustavo, 2011). Depois de eu ter pensado que "sou foda" era o ápice da falta de noção e livre expressão do ridículo, eis que surgem estes novos ícones. Chupa Luan Santana: tu já era!!!
Claudia Leite: eu não esqueci de ti!
Beju da Gorda em você
tcherere-tchê-tchê-tchê-tchê

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A diversidade

Hoje a diversidade toma conta do mundo: diferentes ritmos, diferentes crenças, cores, valores, sabores... antes que eu comece a rimar, acho tudo muito lindo - principalmente no que se refere aos sabores. Também hoje não basta ser moderno, tem que ser pós-moderno, pós-dramático e até pós-humano!! Enfim, eu, como uma boa gorda, tenho uma opinião super bem formada: tem o bom e o ruim, o chato e o não chato, o bom e o mau. Sim, existem classificações, debates e discussões, o problema todo é que o mundo está ficando chato (já escrevi isso), que Freud não entenderia nada se vivesse hoje (não que eu ache que um dia ele entendeu) e era tãããão mais fácil ir ao mercado e escolher entre chocolate, morango e baunilha do que chocolate, chocolate com avelãs, com passas, castanha de caju, caramelo, baunilha, floresta negra, laranja, maracujá, chocolate com menta, LIMÃO!!!!, pimenta, chocolate com cookies -, a coisa mais sem sentido até hoje inventada - morango com chocolate, frutas vermelhas, amora, framboesa, ai, é demais! Pior que isso, só quindim de chocolate. Os gordos pedem socorro!

domingo, 30 de outubro de 2011

Poeminha roubado

Poema perfeito escrito pelo Pomar em www.teatrorelampago.blogspot.com. Roubei e aqui vai:

"Tem gente que sofre de solidão, eu sei.
Quero dizer, mais imagino do que sei.
Porque quando passei
A ser sozinho (e quem não é?),
Logo descobri:
Eu sofro mesmo é de gentidão."

Lembrou-me Ionesco e "as pessoas que falam para nada dizer". O bombeiro. Lembrou-me Beckett e os seres "lá fora". Lembrei da solidão acompanhada - quando estamos sós na multidão infinita -, e quando estamos em companhia que nos completa e, se faz assim, um só. Solidão agradável. Sofrer de solidão assim até que é bom.

Beju da Gorda

sábado, 27 de agosto de 2011

Churrasco: um bom pretexto II


O churrasco une os amigos e faz novos e desconhecidos inimigos, como constatado no post anterior. Mas o que mais intriga os mais tolerantes (os menos tratam logo de se preocupar em como causar um curto-circuito e acabar com poluição sonora) é a diversidade do mau gosto. Alguns chegam a ficar saudosos do Raça Negra, o maior culpado por tudo, o precursor, o responsável pela propagação das composições mais sem explicação - até então -  para os ouvidos brasileiros criteriosos. Naquela época, o mau gosto era apenas mau gosto. Hoje acusar “sou foda” (pesquisar no youtube) de mau gosto é ser a Madre Teresa da crítica musical.
Para os que pararam de reconhecer o gênero musical dos grunhidos reproduzido pelos aparelhos de som vizinhos, muitas vezes acompanhados de grunhidos mais intolerantes vindo de cordas vocais ao vivo, aqui vai uma lista com dicas de como reconhecer o que lhe causa desgosto.

  1. Funk: som demasiado irritante. Ritmo irritante. Letra, igualmente irritante, com refrão composto por no máximo 4 palavras. Isso se o compositor for bom. Hit do momento: “é o pente, é o pente, é o pente, é o pente...” autor desconhecido.
  2. Sertanejo: (embora conhecida, é necessária a explicação para que possamos entender melhor o sertanejo universitário) sertanejo era, em tempos distantes, uma música regional, muitas vezes com belas e tristes letras e melodias. Nas últimas duas décadas tem sido associado a declamações em tom de canto por cantores com uma voz extremamente irritante que simula a situação de estar cantando no banheiro – enquanto sofrem uma evacuação difícil, como Leandro (que Deus o tenha) e Leonardo, Xitãozinho e Xororó.
  3. Sertanejo universitário: ainda uma incógnita. Indefinível. Permanece a decadência do termo 'sertanejo' porém a 'música' é mais dançante, pulante e degradante. Não, o degradante não foi pra rimar, foi pra constatar. Creio que o termo “universitário” exista por tornar a coisa mais irritante ainda, como se eles tivessem frequentado a universidade do mau gosto. Representantes de sucesso na atualidade: Luã Santana, Vitor e Léo.
  4. Axé: Daniela Mercury que, poderia muito bem ter se recolhido à sua insignificância, resolveu revelar o seu mau gosto para o mundo através do hit “alegria agora!” e desgraçar a vida no resto do Brasil, como se já não houvessem políticos o suficiente para fazê-lo. Um som que permite aos fãs manifestarem sua adoração através de pulos, gritos e dancinhas pula-rebola-pula, popularizadas pelas “Loira e Morena do tchan”. Hoje temos a infelicidade de, além desse mau gosto permanecer como praga, termos como representante mor a insossa Claudia Leite.
  5. Calypso: trata-se de um fenômeno isolado e exclusivamente paraense (ufa!), formado por Joelma e Chimbinha, conhecido por todo o Brasil. Não há denominação ou explicação plausível para o ritmo, a dança e aquilo que chamam “voz” na "cantora” Joelma. Rezo pela extinção do grupo e pelo fim da música paraense. Amém!
Tentando compreender os fenômenos culturais brasileiros... desisto.


Beju da gorda

Churrasco: um bom pretexto


...principalmente pra matar alguém. Hoje a tecnologia permite que conheçamos pessoas que não conhecemos e isso pode, com a permissão humana, ser agradável. Hoje, a capacidade de volume de reprodução de som permite que se desenvolva um ódio incomensurável pelo morador do apartamento do lado, de baixo, de cima, e o mau gosto sempre proporciona. Se o volume vier de um mini-system desgraçado conhecido pelas marcas pincher, chiuaua ou poodle toy (homenagem à Malu) a antiga tecnologia da estricnina é infalível. Infelizmente o mesmo não acontece com os aparelhos de som. Infelizmente o gosto do vizinho não condiz com a qualidade do aparelho de som dele. Jamais. Isso é uma lei, de Murphy também, mas é uma lei básica dos condomínios. Nem os condomínios de luxo se salvam de músicas sem o mínimo de classe. Falo daquelas situações em que Agepê torna-se audível aos ouvidos lúcidos. Veja bem: A – G – P! Parece sigla de organizações mafiosas. A – G – P. Agora entendo de onde vem as siglas como SPC (no caso, do grupo de pagode) e outras na 'música' brasileira. Tudo culpa do A – G – P esse precursor da falta de criatividade.
Sábado, 2:30 da madrugada. Churrasco no salão do prédio. Meu ódio é proporcional ao meu sono. Meu salão de festas não possui aparelho de som, o que deveria ser algo extremamente positivo para todos os outros condôminos que ensaiam no sábado pela manhã, ou trabalham, ou dormem até mais tarde depois da árdua semana, ou que acordam as 6h da manhã pra tomar um chimarrão sem hora pra terminar. Não. A raça humana sempre dá um jeito de tornar a vida desagradável pro outro: na falta do aparelho de som, os festeiros decidem que cantar do lado de fora do salão é uma solução excelente para a questão. E eu decido que vou atirar algo lá embaixo. O mais justo seria meter um 'três oitão" ou coisa parecida - direto nas cordas vocais. Mas o mundo não é justo e a natureza é sábia – não tenho porte de armas.
Mas de segunda-feira não passa: 11h estarei no banco, fazendo um empréstimo consignado para comprar 30 chiuauas e alugar outro apartamento há 300 léguas daqui, para minha fuga. Vamos ver com quantos decibéis se faz uma vingança.
 Beju da Gorda
Malu