sábado, 20 de outubro de 2012

Acredite!

Não é de hoje que a humanidade produz frases partindo do nada para lugar nenhum. Mas da necessidade de entender a "moral da história", lá vai:

1) "Com os erros se aprende."
Moral da história: Se aprende a errar.

2)"Dê a volta por cima."
Suponhamos que alguém esteja em algum ponto e deve voltar. Voltar por cima implica num movimento de ascensão e queda. 
Primeira moral da história: além de voltar para o mesmo ponto você vai cair feio no final.
Outro fator é o trabalho desnecessário para voltar por cima. Ser humano não voa. Baratas voam.  Portanto, você precisará no mínimo de uma escada, quando não de um avião - muito mais caro que uma escada, diga-se de passagem. Como nos ensinam os coelhos e assaltantes de banco dos filmes americanos, que cavam imenso caminhos sob o solo, no fim do caminho sempre haverá algo: cenouras ou uma fortuna. 
Moral da história: voltar por baixo traz melhores possibilidades.

3) "Dê um passo a frente."
Humanos andam pra frente, caranguejos andam pra trás. O caminho que você já percorreu você conhece e sabe onde estão os buracos. Pra frente não.
Moral da história: os caranguejos são espertos.

4) "Siga em frente".
Nunca vi uma árvore cair em algum buraco, apanhar por ter entrado no lugar errado ou ter que refazer um longo caminho quando algo não dá certo.
Moral da história: Não é à toa que as árvores tem longa vida.

Beju da Gorda

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

No ônibus-avião do caminhoneiro



Santa Maria com destino a Porto Alegre. 18h. Sento-me confortavelmente na poltrona 12, corredor. Há tempos já não faço mais questão de sentar na janela, desde que não é mais permitido abri-las. Na hora da saída, a vantagem é sempre de quem está no corredor: o vivente é possuído por uma sensação de poder sobre o que está na janela: "pegaste a janela, ms eu posso travar tua saída", coisas de pessoas vingativas, não é o caso. Quando um ingênuo pum resolve passear pelo ônibus, já não há mais vantagem na janela, aliás, é decepcionante não poder abri-la nesse momento de angústia. Mas o que é um peido depois da invenção do diálogo?

- Em quanto tempo chega em Porto Alegre?
- Umas 4 horas, 4h e meia.
- Mas eu pedi pra eles calcularem o tempo. Não vai dar tempo. Eu pedi pra eles calcularem.
- O senhor vai pra onde?
- Vendinha (ou algo parecido), perto de Lajeado.
- Por que o senhor não pegou um Santa Cruz para Lajeado?
- Eles disseram que não tinha mais passagem. Eles querem é vender passagem. Esse ônibus tem que sair logo pra eu chegar, tomara que chegue voando. Já está atrasado pra sair. Tomara que saia logo pra dar tempo.
- (com esperança) O senhor ainda pode descer, já que o ônibus ainda não saiu.
- Não adianta, eu vou ter que ir de qualquer jeito. Vou pra Porto Alegre depois volto metade do caminho pra pegar meu caminhão. Ele só vai tá carregado as sete da manhã.
- (silêncio)
- Tomara que saia logo, já passou cinco minutos. Tomara que esse ônibus voe!
- Eles sempre dão esse tempo.
- Já tá atrasado, dá pra reclamar, mas não adianta. Tomara que esse ônibus vá voando.
- (silêncio emburrado).
- Não adianta reclamar, Ai, tá saindo, já tá atrasado. (pausa esperançosa para minha alegria) Mas não vai sair? Acho que agora vai. Tomara que voe!

Neste momento, abro o notebook para tentar trabalhar no meu texto, como se fosse possível. Por um momento de enorme ilusão, pensei que ao abrir o note, o desconfiômetro do ser ao lado seria automaticamente ligado. Falta de intuição maior nunca tive na vida.

 - Tomara que esse carro voe pra chegar logo e dar tempo.
 - (expressão de descontentamento acompanhada de suspiro irritado)
 - Eles só querem é vender passagem, não adianta, só querem vender passagem. Vou ter que pagar um hotel em Porto Alegre, uns 50, 60 reais, fazer o que. Tomara que esse ônibus voe!
 - (silêncio)

Ele finalmente para de falar. Eu, não tão tranquilamente e com dificuldade, faço retoques no texto em que estou trabalhando quando, de repente, me dou conta que em nenhum outro momento da vida o que eu escrevo fora tão interessante. Os olhos vidrados na tela do meu notebook. Invasão pouca é bobagem. Paro de escrever. Fecho a janela do meu texto e vou ler outro. Os olhos acompanham, não perdem nada. Tiro o outro texto, abro o facebook. O olhar vidrado na minha tela. Nenhum constrangimento. Nada, nadinha. Não cursou o módulo básico de comportamento no ônibus. Desisto. Fecho o notebook e finjo sono repentino. Viro a bunda gorda para o lado do vivente, com apenas um propósito: VINGANÇA! Mas por dez mil repolhos, flatos, onde estão vocês quando eu mais preciso? Nada. Nem sinal. A falta de sono me faz lembrar do início da conversa: "em quanto tempo chega em Porto Alegre? - 4h, 4h e meia"... 4h, 4h e meia...

TOMARA QUE ESSE ÔNIBUS VOE! TOMARA QUE ESSE ÔNIBUS VOE!


Beju da Gorda

sábado, 6 de outubro de 2012

Polícia para quem precisa!

Em Porto Alegre quem precisa de proteção policial é tatu de plástico. Quem merece suas cacetadas são os vândalos sem razão nenhuma que derrubaram um boneco inflável gigante. Se uma boneca inflável em tamanho normal faz a alegria de um homem, imagina um tatu de sete metros!! Compreensível a presença constante de um monte de policiais em volta. Proteção aos sete metros da mais pura felicidade que existe em você.
Os vândalos derrubaram o tatu sem razão. Vândalos destruíram um grande patrimônio cultural de Porto Alegre. Sem razão. Claro que a inutilização de um espaço público em que constantemente ocorriam manifestações culturais e políticas não é razão. Claro que a feira de economia solidária não faz falta nenhuma para quem nela consumia os produtos coloniais e para os seus produtores que ali expunham seus produtos e, portanto, não é razão. Tampouco existe razão alguma em ver o tatuzão como uma representação de toda a barbárie política acontecendo na cidade de Porto Alegre. E mesmo sendo, não há motivo claro para essa revolta. O povo não é feito pra isso, apenas para ser passivo e apático, é esse o seu papel. O papel do povo é chamar a todos de ignorantes, polícia e manifestantes, ou de analisar sobriamente a situação que de sóbria não tem nada. 
Não há sobriedade em uma polícia despreparada. Tão preparada que quando um amigo e eu fomos assaltados à mão armada tendo ele seu carro levado, não pudemos dar queixa sem ter o número da placa do veículo, que ele não lembrava pois o carro havia sido trocado no dia anterior. Mas, minha mãe e eu pudemos ser paradas por um carro dessa mesma brigada, sendo obrigadas a "sair do veículo com as mãos para cima" pois haviam furtado um carro idêntico ao que estávamos. Ao sair, me deparei com um policial armado. Mas... e a placa do carro? Por que nós fomos paradas por estarmos em um carro de mesma marca e cor ao roubado e meu amigo e eu não pudemos dar queixa por não lembrarmos exatamente o número da placa do veículo? Claro que isso não é nada. O carro do meu amigo não é um grande patrimônio cultural, e o fato de termos sido abordados por um sujeito armado também não é uma grande coisa. Afinal, não somos tatus e sequer somos de plástico. 
O problema não está apenas em Porto Alegre nem só no RS. O despreparo das polícias militares é algo assustador. Mas há exceções. Quando eu morava no interior do RS em uma casa localizada em um bairro razoável, por morar algum tempo só em uma casa sem segurança, ao desconfiar de algo eu chamava a polícia. E eles iam, prontamente, fazer uma ronda e retornavam a ligação para dizer que estava tudo bem. Ali, eu me sentia um pouco protegida pela polícia. O mesmo ocorreu quando entraram no pátio da casa da minha vizinha. Já quando eu morei no Morro da Penitenciária no Bairro Trindade em Florianópolis, ao ouvir um grito de socorro, liguei para a polícia e relatei o que ouvi. A resposta foi algo surreal: "se você ouvir de novo ligue outra vez e nós vemos o que fazer". O que é um pedido de socorro em um lugar onde nem os taxistas se arriscam ir antes das seis da manhã, não é mesmo? Claro que poderia ter sido eu a gritar socorro, poderia este grito ter sido o último de alguém, mas e daí? Não era eu! Assim como não fui eu a ser ferida pela polícia no dia quatro de outubro em Porto Alegre. Portanto, para mim, tanto faz, para mim é muito fácil ser sóbria e analisar a situação com polidez e palavras sensatas, afinal, sou prudente, não ajo por impulso ou necessidade. Quem tem necessidades? O povo da feira? Os artistas que perderam um espaço público? Os passantes que perderam um pouco de arte e produtos da feira? Não. O Tatu, ao qual é cedido o espaço público, aliás, a praça toda que poderia mudar de nome para não envergonhar Glênio Peres.
Sejamos sensatos, não derrubemos plástico.  Deixemos impunemente retirarem o pouco que ainda pertence ao povo. Enquanto tu olhas as coisas com prudência, tem alguém agindo e apanhando para que tu, amanhã talvez, voltes a ir na feira, possas ali apresentar teu espetáculo de rua, fazer tua intervenção, a divulgação do teu evento e alguma ideia, se algum dia tu vieres a ter alguma. Afinal, quem precisa de espaços públicos, não é mesmo?
Trocamos os papéis com os tatus: enquanto eles crescem e tomam as praças, nós, vamos pro buraco. É o povo cavando sua cova.

Beju da Gorda.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pequenos pesadelos da língua cotidiana



Ontem saí e comecei a ser perceguida. Então, anciosa, fis de tudo para fugir do perceguidor mas, denovo, ele veio correndo e quase me alcanssou. Mas ele não queria me roubar não, ele queria era me encomodar. Prá que, então, eu me pergunto? Só pode ser preguissa de procurar outra coisa prá fazer. Concerteza! Ou, derrepente, era por que ele se sentia muito sózinho. Aí, eu pensei melhor e fui lá levar uma torta de chocolate pra ele. Ele me jogou no precepício e eu saí nadando com a torta-bóia. Quem morreu foi o Seu Aurélio que não quiz ir sózinho e puxou o primo Houaiss.
Ao acordar, refiz o dicionário.

Alcanssou - Junção de alcançar + cansar. Não alcançou por estar cansado, portanto, não alcanssou.

Ancioso - pessoa anciã que está ansiosa.

Concerteza - Pessoa recém saída de um concerto.

Denovo - Segundo meu amigo Gonza, do verbo "denovar". Ainda não encontrei o significado, mas seguirei tentando bravamente.

Derrepente - Derrapou de repente.

Encomodar - Uma encomenda incomodativa!

Fis - Não fez realmente.

Prá - Deve ser para cima. O acento agudo aponta para cima.

Perceguida - Ser perseguido e perceber isso.

Precepício - Precipício preceptor.

Preguissa - Sempre é melhor do que ter preguiça!

Quiz - Um querer misturado com perguntas (quiz, do inglês).

Sózinho - Indivíduo muito só. Junção de "Só" + "Sozinho".


Um beijo e um abrasso da Gorda!

sábado, 12 de maio de 2012

Ajude-se


Os livros de auto-ajuda padrão insistem: “todo mundo é bom em alguma coisa”. Devo concordar. Difícil encontrar alguém que não produza bem lixo e cocô, por exemplo. Gênios ou estúpidos, todos produzimos – e quanto mais estúpidos, “melhor” o lixo. Já a categoria cocô tem variações, mas, creio que isso não venha ao caso no momento.
Outro lugar comum da literatura de auto-ajuda é o clássico “não se deve desistir dos seus sonhos”. Mito. Dependendo de quanto custa o sonho e de quanto você tem na conta bancária, vale a pena investir no pesadelo. Geralmente é de mais baixo orçamento e ainda rende uns “gritinhos” para assustar os vizinhos, afinal por que só a sua vida deve ser uma merda? Porém, é válido continuar se programando para a realização do sonho: soa poético morrer tentando. Caso não seja muito romântico, ainda existem outras opções como, por exemplo, desistir agora. Geralmente sai mais barato. Não quero ser pessimista e achar que jamais os objetivos serão atingidos, mas se uma década não foi o suficiente, pode-se esperar mais uma para uma nova tentativa. Evita um rombo no orçamento – que certamente já é baixo, ou você não teria problemas e não estaria lendo isto – e a expectativa de vida de um cidadão sem sorte costuma ser bem maior. Poucos são os azarados que tem a sorte de interromper este ciclo mais cedo. Então, se acalme e relaxe: relaxar é de graça. Qualquer outra coisa tem que pagar a condução. Pense nisso.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Estudando a música - alguns esclarecimentos

Há muito tempo percebo determinadas características que se repetem nas músicas de 'sucesso'. Depois de estudar mais o fenômeno, aponto as questões fundamentais:
1) Vogais: a maioria das músicas atuais possui algo no refrão como "e-e-e-e-e-e-e",  "lê lê lê",  sendo o mais conhecido deles o animadíssimo "tchereretchê-tchê" (deve ser uma homenagem à 'tchê music' do RS). O "e" é a vogal da moda, porém, as vogais variam e sempre marcam presença nas composições. No axé music, é uma característica marcante, e por que não dizer, sine qua non para a sua existência.
2) O impossível: Primeiro, a lua iluminou o sol na bonita canção de Paula Fernandes. Em outra circunstância, a pessoa metamorfoseia-se em raio de saudade, meteoro da paixão (bom, acho que o Luan Santana veio antes, ainda tenho que conferir os dados). Mas não podemos esquecer que, muito antes disso, Fagner já recitava: "tenho um coração, bem melhor que não tivera". Enfim, se o coração não existisse, meu caro Fagner, 98% das canções ruins também não existiriam. Parece que ele é essencial não só para o corpo humano, assumindo na música a condição "Highlander".
3) A função do coração: Marisa Monte mostra toda a sua incapacidade como poeta: "meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você"... científico demais. O negócio é dilacerar, despedaçar, estraçalhar, pisotear (sambando, claro) e tudo o que há de mais devastador. Depois de dilacerado, maltratado, espezinhado, afogado e incendiado, ele ressurge das cinzas e, não bastasse seu retorno, ainda volta com personalidade, como neste caso: "deixa de ser trouxa coração", mas não para por aí: ainda tem a versão objeto no caso de "a saudade é um prego, coração é um martelo". É... o fígado se regenera, mas o coração, ah, esse é mutante!
4) Mutações: Observemos o caso de "você é minha luz, estrada meu caminho, sem você não sei andar sozinho (neste caso, a pessoa é muleta), sou tão dependente de você. Chama que alimenta o fogo da paixão", (no caso a pessoa transmuta-se em matéria em combustão). Mais tarde, na mesma música, sem mais, lê-se a frase: "vem meu céu, meu pão de mel, meu bem querer". Primeiro, o ser em questão é o lugar onde se encontram os astros, o infinito. Imediatamente, este ente transforma-se em alimento (dos melhores, diga-se de passagem): PÃO DE MEL.  Depois dizem que os sertanejos não tem complexidade alguma. Por favor...

Beiju da Gorda


quarta-feira, 21 de março de 2012

No ônibus

As viagens de ônibus são sempre muito interessantes, porém, sempre possuem as mesmas sensações. Salvo raríssimas exceções, determinadas fases sempre se repetem. São elas:

1) O Medo - a fase do medo é sempre a primeira. É aquela que, quando estamos na fila, vemos um ser indesejado – invariavelmente comendo um Elma Chips - e tememos imensamente que este seja nosso companheiro de viagem pelas próximas horas. Quando não é isso, o vivente já vem com sabor cebolitos naturalmente. Esse é o pior, não adiantando nem oferecer pastilhas: sovacos não chupam bala halls.

2) A certeza – a fase que vai garantir o teu humor durante as próximas horas de existência: o seu companheiro já ocupa a poltrona ao lado. Caso ainda haja espaço para se movimentar e permissão para respirar tranquilamente, a viagem terá grandes chances de ser agradável. Daí tu entendes por que nunca acertou a loteria: tua sorte estava reservada para o ônibus, ou, para ganhar o sorteio da cesta de café da manhã na rifa da vizinhança.

3) O filme – Os filmes do ônibus ou são uma merda completa, ou são absolutamente sem graça (ou seja, uma merda completa). Existem algumas exceções que garantem que o filme não é totalmente desprezível, que são: a) um bom ator – ele muitas vezes dá um 'up' no roteiro; b) tem bichinhos bonitinhos e c) lindas paisagens. No máximo. Quando o filme for realmente bom ou tu dormiu e tá sonhando ou é delírio.

As próximas fases dependem da tua capacidade de dormir ou não. Caso consigas dormir és um abençoado. Do contrário, ainda existem:

4) Conversas – Conversar no ônibus nem sempre respeita aquela máxima de que “quando um não quer, dois não brigam”. Infelizmente, nem todas as pessoas compreendem a indiferença como um não. Muitas delas acha que é timidez da tua parte. E o pior: ninguém nunca supõe ter mau hálito.

5) A comida – Não sei por que, mas acho este assunto o mais interessante. Gordos sempre carregam comidas. Nem sempre a pessoa do lado carrega comida. Então, já temos um grande dilema quando portadores da comida: oferecer ou não oferecer. Não gosto de dividir a minha comida. Me inspiro numa grande amiga que tenho desde a infância que esperava o namorado ir embora para abrir o pote de sorvete – um a menos! No ônibus há sempre o constrangimento, pois tu não tens opção “esperar a visita ir embora”. Opto por jamais olhar para o lado enquanto como. Se a pessoa tentar falar contigo diga “uhum” de boca cheia, não a olhe e seja antipático. Sorrisos só depois. Isso salvará teu lanche!

Fim da viagem! Descanso? Ainda não...

6) Momento de buscar as malas - Hoje em dia os motoristas costumam ir tirando as malas e gritar o número da bagagem, portanto, ficar como mosca em volta da merda, além de não adiantar nada, só atrapalha o bom andamento da coisa. Não, a tua mala não vai aparecer antes por que tu estás ali. Até onde eu sei, mala não é cachorro. Por mais que tenha rodinhas, ainda não anda sozinha, pula e vem ao teu encontro. Sim, a realidade é triste.

Beju da Gorda!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tipos insuportáveis

1) O educado. O educado é uma pessoa que não quer encrenca com ninguém e tenta sempre tratar a todos com a maior educação. E mesmo que algum ignorante venha a lhe incomodar, o educado sempre consegue dar um jeito de ser gentil. Ainda mantém a sua própria opinião, diferente do caso a seguir - o cara legal - , mas sempre ressalta que RESPEITA TODAS AS OPINIÕES, embora tenha a sua. O educado é um saco. A categoria mais próxima deste é o "cara legal".
2) O cara legal. Um dos tipos mais inoportunos. Não sabendo o que fazer para agradar, invariavelmente ele compartilha com afinco das tuas opiniões, seja ela qual for. Se teu time é vermelho e o do cara legal for azul, ele vai dizer que, neste caso TU TENS TODA A RAZÃO. Além de sempre concordar contigo, este espécime também jamais perderá a oportunidade de ficar calado e sempre terá um comentário 'muito massa', mas muito massa mesmo, para fazer sobre as tuas opiniões. Personalidade é o que não há. Delírio a dois é psicose pouca.
2.1) O cara legal II: o correto. Possui características dos anteriores, mas é mais legal ainda, pois tem opinião própria (sempre a mais senso comum) e também é sincero, o que o torna dos tipos mais sacais. Tudo está sempre bom, divino e maravilhoso, claro, porque as criancinhas na África sofrem e ele se sente abençoado por comer pão todos os dias - mesmo que tenha sido sovado pelo coisa ruim. Ele(a) está sempre bem, ainda que pense nos males do mundo. Certamente já realizou a sua boa ação do dia, sempre sabe os conselhos certos para te dar (os mais inúteis e clichês, claro) e é um cara sincero, até demais, pois não é correto mentir, nem que seja sobre futilidades. Ex: alguém fez uma plástica no nariz. O sincero-legal (diferente do super sincero, um tipo mais grosso) diz "ai mas eu achava bem charmoso aquele teu defeitinho", sempre no diminutivo, pois ele é legal, legal demais. Depois do cidadão ter pago muitos reais, ter quebrado a cara - literalmente - , o cara legal e sincero vem e diz isso. Também é desnecessário dizer que ele é politicamente correto, pois tudo que carrega o adjetivo 'correto' este cidadão se enquadra. É o campeão entre os malas. Perto dele está o super sincero.
3) O super sincero. Ele se acha o mais foda e se tu não compartilhas da mesma opinião, certamente é porque tu "és um hipócrita medíocre". O super sincero vai além da sinceridade do legal-sincero, ele simplesmente perde o amigo pra não perder a sinceridade, perde a dignidade, a piada e tudo mais. SEMPRE tem uma opinião (contrária, certamente) a todos os acontecimentos, mesmo que o acontecimento tenha sido tu teres matado uma barata. Está na categoria "poderia ter nascido mudo".
4) O cult. Este, impressionantemente, nunca sai de moda. Ele entende de toda história do cinema do Kasaquistão, Romênia e Sri Lanka - sim, tem cinema lá. Não sabe falar português, mas exaltá-lo de forma insuportável. Palavras como "elucubrações, esfuziante, revelador" (embora pareçam palavras comuns o cult as diz simplesmente pra informar que vai ao banheiro) são as mais utilizadas por este tipo. Palavras como "legal" ou "bom" não existem em seu dicionário pois não traduzem todo o êxtase do ser cult. Seus discursos geralmente duram horas em função de descrições totalmente dispensáveis como: "A fabulosa atriz Fulana, dos filmes tal e tal dos diretores excelentes da nova safra do cinema, fulano e cicrano, estava esplêndida no último longa do paquistanês Tal, numa interpretação super  intimista e intensa da personagem feita da adaptação da obra do fantástico Fulano... ad infinitum." Isso tudo para dizer que a atriz tal estava excelente no seu último filme.  Não preciso dizer que são dois pés no saco. Isso quando não está de muletas.
5) O rebelde do facebook. Geralmente posta todos os vídeos contra a corrupção no país, mas fica caladinho quando acontece algo dentro do seu trabalho, seja lá qual for o ambiente, mas lá está ele se rebelando contra a política do país, enquanto engole sapos todos os dias e dá abracinhos nos colegas com menos ética que ele. Super legal, se dá bem com todo mundo, não se incomoda em ignorar pessoas em uma posição hierárquica menor que a sua, mas ainda assim, não cria grandes conflitos, a não ser, óbvio, no facebook, contra aqueles que não tem contato direto. É um lindo!
6) O grosso. É grosso. E ponto. Assim mesmo. Não se sabe por que, mas ele canta com orgulho "me chamam de grosso, não tiro a razão" porque assim ele é. Não, nem ele sabe por que, porque isso NÃO TE INTERESSA. E ponto.

Beju da Gorda

domingo, 25 de dezembro de 2011

Ausência

Às vezes fico tão ausente quanto papai noel. Eu e grande parte das pessoas. Então vem o Natal, com sua árvore, seus presentes, suas dívidas no cartão de crédito e aquele sorriso. Falso, claro. Noites de Natal me cansam. É a obrigação de estar bonita, bem arrumada e feliz. Base, rímel e blush + vestidinho bonitinho + carinha feliz. Uma m... 
Hoje só o que eu recolhi de papéis de presentes, embalagens plásticas, caixas... foi algo absurdo. Daí eu penso, pra que tudo isso? É legal ganhar presentes, acho ótimo, todo mundo gosta, mas na noite de Natal é uma obrigação. As crianças esperam a noite de Natal pelos presentes. Que saco! Os presentes que eu mais gostei de dar foram assim, simplesmente por querer, sem data, sem obrigação. O que pode ser melhor do que um telefonema pra um amigo pra dizer que o ama? De simplesmente "chegar" e dar um abraço e ir embora, assim, sem mais. A vida seria tão mais interessante se fosse bem assim "sem mais". Muitas vezes ganhei presentes assim e, sem dúvida, foram os melhores. E todos eles se baseavam da gentileza de estranhos que hoje são grandes amigos e outros, que nem o nome mais sei. Mas hoje em dia, nada pode ser mais nobre e mais elegante do que a gentileza, o cuidado, tão ausentes atualmente... Qualquer coisa que demonstre que o ser humano ainda tem algo de grande é ainda o melhor presente de todos. Com o sem papel, com ou sem cartão, com ou sem data. Porque os dias especiais não estão marcados previamente no calendário, eles são inesperados, surpreendentes e insuperáveis. Em nenhum deles teve o papai noel.
Beju da Gorda

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tcherere-tchê-tchê

Olha, tem coisa que eu não entendo. As "coisas" classificam-se em: comuns, legais, inesperadas, extraordinárias, fantásticas, espantosas, dignas, válidas, bonitinhas-mas-ordinárias, outras apenas ordinárias... mas tem aquelas que são inexplicáveis:
1) Michel Teló.
2) Gustavo Lima... e você - tchere-re-tche-tche
Eu poderia voltar à Claudia Leite, vencedora do troféu Sem Sal -  2011 até a eternidade - , mas mestre Skylab mandou bem e eu jamais falaria melhor: "eu queria estar lá (rock in rio) pra cortar aquela corda (corda em que a Claudia leite estava suspensa)".  Skylab cada vez mais meu mestre.
Mas voltando ao primeiro item - Michel Teló. Por favor, ninguém se chama Michel Teló. Nenhum corretor gramatical aceita "Teló" que porra é "Teló"? É uma mistura de telha com Jiló? Não combina. Não remete a nada, é algo tão sem sentido que não possui razão de existir - assim como a música. E depois, se fosse José Teló, até que rolava uma interação, mas "Michel" e "Teló" são coisas quase contradizentes - pois se chegassem a ser contradizentes já era um início. Também não é o caso de serem contrastantes e resultar em algo esteticamente aceitável; tampouco se completam, como queijo e goiabada, arroz e feijão: não existe aceitação pra Michel Teló. Um nome como poucos que diz tudo sobre a música que ele canta. Tá, "música", nesse caso,  foi uma bondade imensa da minha parte, mas eu também tenho meus momentos de Madre Teresa. Fato. Mas enfim, ninguém na mesma vida poderá se chamar Michel Teló e manter a dignidade. Ok, Michel, perdoado nesta vida.
Gustavo Lima é só mais um, não merece perdão. Nem explicação. Não há nada relevante que justifique o esforço. Definitivamente.
Meu pequeno ódio começou quando hoje, a TV ligada e passou TRÊS vezes a propaganda dos novos sucessos: "delícia assim você me mata, ai se eu te pego" (TELÓ, Michel, 2011). seguido de "gustavo lima e você" (LIMA, Gustavo, 2011). Depois de eu ter pensado que "sou foda" era o ápice da falta de noção e livre expressão do ridículo, eis que surgem estes novos ícones. Chupa Luan Santana: tu já era!!!
Claudia Leite: eu não esqueci de ti!
Beju da Gorda em você
tcherere-tchê-tchê-tchê-tchê

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A diversidade

Hoje a diversidade toma conta do mundo: diferentes ritmos, diferentes crenças, cores, valores, sabores... antes que eu comece a rimar, acho tudo muito lindo - principalmente no que se refere aos sabores. Também hoje não basta ser moderno, tem que ser pós-moderno, pós-dramático e até pós-humano!! Enfim, eu, como uma boa gorda, tenho uma opinião super bem formada: tem o bom e o ruim, o chato e o não chato, o bom e o mau. Sim, existem classificações, debates e discussões, o problema todo é que o mundo está ficando chato (já escrevi isso), que Freud não entenderia nada se vivesse hoje (não que eu ache que um dia ele entendeu) e era tãããão mais fácil ir ao mercado e escolher entre chocolate, morango e baunilha do que chocolate, chocolate com avelãs, com passas, castanha de caju, caramelo, baunilha, floresta negra, laranja, maracujá, chocolate com menta, LIMÃO!!!!, pimenta, chocolate com cookies -, a coisa mais sem sentido até hoje inventada - morango com chocolate, frutas vermelhas, amora, framboesa, ai, é demais! Pior que isso, só quindim de chocolate. Os gordos pedem socorro!

domingo, 30 de outubro de 2011

Poeminha roubado

Poema perfeito escrito pelo Pomar em www.teatrorelampago.blogspot.com. Roubei e aqui vai:

"Tem gente que sofre de solidão, eu sei.
Quero dizer, mais imagino do que sei.
Porque quando passei
A ser sozinho (e quem não é?),
Logo descobri:
Eu sofro mesmo é de gentidão."

Lembrou-me Ionesco e "as pessoas que falam para nada dizer". O bombeiro. Lembrou-me Beckett e os seres "lá fora". Lembrei da solidão acompanhada - quando estamos sós na multidão infinita -, e quando estamos em companhia que nos completa e, se faz assim, um só. Solidão agradável. Sofrer de solidão assim até que é bom.

Beju da Gorda

sábado, 27 de agosto de 2011

Churrasco: um bom pretexto II


O churrasco une os amigos e faz novos e desconhecidos inimigos, como constatado no post anterior. Mas o que mais intriga os mais tolerantes (os menos tratam logo de se preocupar em como causar um curto-circuito e acabar com poluição sonora) é a diversidade do mau gosto. Alguns chegam a ficar saudosos do Raça Negra, o maior culpado por tudo, o precursor, o responsável pela propagação das composições mais sem explicação - até então -  para os ouvidos brasileiros criteriosos. Naquela época, o mau gosto era apenas mau gosto. Hoje acusar “sou foda” (pesquisar no youtube) de mau gosto é ser a Madre Teresa da crítica musical.
Para os que pararam de reconhecer o gênero musical dos grunhidos reproduzido pelos aparelhos de som vizinhos, muitas vezes acompanhados de grunhidos mais intolerantes vindo de cordas vocais ao vivo, aqui vai uma lista com dicas de como reconhecer o que lhe causa desgosto.

  1. Funk: som demasiado irritante. Ritmo irritante. Letra, igualmente irritante, com refrão composto por no máximo 4 palavras. Isso se o compositor for bom. Hit do momento: “é o pente, é o pente, é o pente, é o pente...” autor desconhecido.
  2. Sertanejo: (embora conhecida, é necessária a explicação para que possamos entender melhor o sertanejo universitário) sertanejo era, em tempos distantes, uma música regional, muitas vezes com belas e tristes letras e melodias. Nas últimas duas décadas tem sido associado a declamações em tom de canto por cantores com uma voz extremamente irritante que simula a situação de estar cantando no banheiro – enquanto sofrem uma evacuação difícil, como Leandro (que Deus o tenha) e Leonardo, Xitãozinho e Xororó.
  3. Sertanejo universitário: ainda uma incógnita. Indefinível. Permanece a decadência do termo 'sertanejo' porém a 'música' é mais dançante, pulante e degradante. Não, o degradante não foi pra rimar, foi pra constatar. Creio que o termo “universitário” exista por tornar a coisa mais irritante ainda, como se eles tivessem frequentado a universidade do mau gosto. Representantes de sucesso na atualidade: Luã Santana, Vitor e Léo.
  4. Axé: Daniela Mercury que, poderia muito bem ter se recolhido à sua insignificância, resolveu revelar o seu mau gosto para o mundo através do hit “alegria agora!” e desgraçar a vida no resto do Brasil, como se já não houvessem políticos o suficiente para fazê-lo. Um som que permite aos fãs manifestarem sua adoração através de pulos, gritos e dancinhas pula-rebola-pula, popularizadas pelas “Loira e Morena do tchan”. Hoje temos a infelicidade de, além desse mau gosto permanecer como praga, termos como representante mor a insossa Claudia Leite.
  5. Calypso: trata-se de um fenômeno isolado e exclusivamente paraense (ufa!), formado por Joelma e Chimbinha, conhecido por todo o Brasil. Não há denominação ou explicação plausível para o ritmo, a dança e aquilo que chamam “voz” na "cantora” Joelma. Rezo pela extinção do grupo e pelo fim da música paraense. Amém!
Tentando compreender os fenômenos culturais brasileiros... desisto.


Beju da gorda

Churrasco: um bom pretexto


...principalmente pra matar alguém. Hoje a tecnologia permite que conheçamos pessoas que não conhecemos e isso pode, com a permissão humana, ser agradável. Hoje, a capacidade de volume de reprodução de som permite que se desenvolva um ódio incomensurável pelo morador do apartamento do lado, de baixo, de cima, e o mau gosto sempre proporciona. Se o volume vier de um mini-system desgraçado conhecido pelas marcas pincher, chiuaua ou poodle toy (homenagem à Malu) a antiga tecnologia da estricnina é infalível. Infelizmente o mesmo não acontece com os aparelhos de som. Infelizmente o gosto do vizinho não condiz com a qualidade do aparelho de som dele. Jamais. Isso é uma lei, de Murphy também, mas é uma lei básica dos condomínios. Nem os condomínios de luxo se salvam de músicas sem o mínimo de classe. Falo daquelas situações em que Agepê torna-se audível aos ouvidos lúcidos. Veja bem: A – G – P! Parece sigla de organizações mafiosas. A – G – P. Agora entendo de onde vem as siglas como SPC (no caso, do grupo de pagode) e outras na 'música' brasileira. Tudo culpa do A – G – P esse precursor da falta de criatividade.
Sábado, 2:30 da madrugada. Churrasco no salão do prédio. Meu ódio é proporcional ao meu sono. Meu salão de festas não possui aparelho de som, o que deveria ser algo extremamente positivo para todos os outros condôminos que ensaiam no sábado pela manhã, ou trabalham, ou dormem até mais tarde depois da árdua semana, ou que acordam as 6h da manhã pra tomar um chimarrão sem hora pra terminar. Não. A raça humana sempre dá um jeito de tornar a vida desagradável pro outro: na falta do aparelho de som, os festeiros decidem que cantar do lado de fora do salão é uma solução excelente para a questão. E eu decido que vou atirar algo lá embaixo. O mais justo seria meter um 'três oitão" ou coisa parecida - direto nas cordas vocais. Mas o mundo não é justo e a natureza é sábia – não tenho porte de armas.
Mas de segunda-feira não passa: 11h estarei no banco, fazendo um empréstimo consignado para comprar 30 chiuauas e alugar outro apartamento há 300 léguas daqui, para minha fuga. Vamos ver com quantos decibéis se faz uma vingança.
 Beju da Gorda
Malu

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

I N T E R nacionalmente falando...


Um grande VIVA  ao clube brasileiro mais INTERNACIONAL de todos! E a mídia nacional tratando com um certo desdém, um dos poucos clubes que AINDA NÃO FORAM REBAIXADOS NO BRASILEIRÃO, o clube que mais coloca a cara LÁ FORA. "Amistosos"? "Copinhas?" " Torneiozinhos?" Queria ver se fosse o 'Santu' (e a calopsita do Neymar, que merecidamente foi campeão da Libertadores de 2011), se a recopa seria "torneiozinho". Onde estavam 'CUrintia e o time do Ronaldinho Gaúcho (sim, por que agora o pobre Flamengo nem é mais o Flamengo é o "Flamengo de Ronaldinho Gaúcho")  na Copa Audi? Muito óbvio estarem bem no Brasileiro, não disputam mais nada de porcaria nenhuma. E no jornal da noite da emissora, depois de mostrar a BAITA BICICLETA DO DAMIÃO - O Monstro do Lago Guaíba* - houve a ressalva desnecessária da anta do jornalismo: "numa partida em que Ronaldinho Gaúcho jogou muito bem". Não dá pra parar de babar ovo dessas estrelinhas e falar dos destaques da semana? Felizmente, o site globoesporte.com fez uma matéria merecida, com uma crônica interessante de Alexandre Alliatti. Vê-se o INTER com a chamada "Já é rotina" referindo-se aos títulos internacionais. E já é mesmo. Seu nome, INTERNACIONAL, enfim, vingou na última década.
Mas olhando pra baixo, calamitante está a situação do pobre co-irmão do COLORADO, que além de estar só no brasileiro, logo estará na série B do mesmo. B de Bah! TRI-rebaixado não dá, né? Mas até combina, sendo de Porto Alegre... Bah, TRI!!! Vai ver é uma homenagem à cidade querida. Justo. 
Vejamos agora a situação dos clubes gaúchos este ano:
Sport Club Internacional - Campeão Gaúcho de 2011
                                        Campeão da Recopa Sul-americana 2011
                                        7° colocado no campeonato brasileiro 2011.
Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense - 16° colocado no campeonato brasileiro 2011. Nada mais a declarar. 
Vou dormir que tá na minha hora e o papo tá ficando TRI... pra baixo na tabela.
Beju da Gorda!

*os créditos de "Damião - o Monstro do Lago Guaíba" são do gênio dos cometários esportivos, quase-técnico do Inter (por um fio), historiador e logo estrela de um stand-up que promete, Luís Augusto Farinatti.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Em defesa das mulheres bonitas!

Não me aguento. Preciso desabafar. Acabo de ler sobre o noivado desmanchado poucas semanas antes do casamento de uma linda loira voluptuosa de 25 anos com o dono da playboy, de 85 aninhos. Há alguns anos, uma jovem loira peituda se casava com um magnata americano. Então, nesses casos, as críticas vão sempre contra as loiras que ainda cozinham na primeira fervura. Estou aqui para defendê-las. Por acaso um cara que conseguiu acumular bilhões em sua vida, aos 90 anos não teria capacidade de tomar uma (sábia) decisão? A culpa é sempre da loira com suas belas curvas? Todo mundo paga um preço. Ele, compra a loira com metade da sua fortuna, ela compra os milhões, bilhões com sua belíssima aparência. Em troca, ela aguarda pacientemente o marido empacotar. Então, quando chega o grande dia, vem a família do distinto presunto e tenta tirar o dinheiro da loira. Acham que a loira gostosa casou por amor ao velho e não ao seu dinheiro? Sim, essas loiras* podem não ter (muito) cérebro, mas certamente tem coração. E o coração pulsa mais forte quando sente o cheirinho do verde se aproximando... e ainda assim, querem tirar a única coisa que acalma e afaga essas pobres viúvas. Tentaram reduzia a herança da moça em 30 milhões. O que ela fez? Aceitou os 88 milhões? Não! Com toda a sua dignidade foi lá e exigiu o que lhe era de direito: “faltam 30 milhões” declarou a moça. Claro, 88 milhões realmente não dá pra nada... e o desgosto da moça? Tão desgostosa e abandonada se sentiu que deixou esse mundo, aos 39 anos, sem um milhão no bolso. Por que as famílias não respeitam as decisões de seus parentes mortos? Ou o magnata do petróleo, o dono da playboy são pessoas sem um pingo de inteligência e não sabem o que fazem? Se o cara fez a grana dele ele dá pra quem quiser. Se quiser fazer uma fogueira com o dinheiro antes de morrer é um direito do pré-presunto, incontestável. Vão trabalhar vagabundos, ou, no mínimo, terem a competência de achar seus próprios magnatas!
Assim não dá! Salvem as loiras, suas contas bancárias e suas vidas! Ex-coelhinha também é gente e merece uma vida digna. 
Beju da Gorda 


*não uso aqui o termo loira na forma pejorativa, apenas porque nos dois casos, as mulheres em questão tem em suas cabeças uma linda e absurdamente bem tratada cabeleira loira. (Gorda politicamente correta)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vende-se um sorriso!

"vai, viaja foge daqui que a felicidade vai atacar pela televisão. 
E vai felicitar, felicitar, felicitar,felicitar, felicitar até NINGUÉM MAIS RESPIRAR!" 
                                                                                                                 tOM Zé

O mundo anda irritante. Definitivamente. Estão estabelecidas as duas facções da imbecilidade humana: a primeira, o reacionarismo, cada vez mais presente nas manchetes. A outra, surgida alguns anos antes, a “auto-ajuda”. Parece que de TUDO temos que tirar uma 'lição'. Tá, e se eu estiver com preguiça? Marcelo Yuka escreveu um texto interessantíssimo na revista Galileu de junho, intitulado “toda vítima da violência é perigosa” em que uma frase me chamou muito a atenção: “Também não acredito que o aprendizado para a vida deve obrigatoriamente vir pela dor, como aconteceu comigo. Acredito que se aprende muito mais com o amor”. Amei! Deve ser insuportável depois de perder a capacidade de andar, entrar em depressão e tudo o mais que se tem direito SIM (porque a vida É DIFERENTE dos livros de auto-ajuda), ouvir que é um 'exemplo a ser seguido'. Exemplo serve, no máximo, pra explicar um exercício de matemática. Acredito que as pessoas devam escolher caminhos e não exemplos. E tais caminhos só podem ser escolhidos, com um mínimo de liberdade, se a pessoa tiver OPÇÕES, que só lhes serão dadas através de uma boa educação, que não vem só da escola. E se hoje a escola só é assim chamada pelo fato de ser um edifício construído com salas onde acontecem supostas 'aulas', o resto não ajuda muito. A moda da mídia hoje é mostrar a desgraça dos miseráveis para aqueles que tem um teto sobre a cabeça e, convencê-los de que, eles sim que são felizes, por terem um concreto sobre as cucas. Então, devem agradecer a essa ilustre condição, desligarem a TV e irem pra cama felizes e satisfeitos, abraçar a pessoa amada, travesseiro ou  o urso de pelúcia, rezar e dormir em paz.
E tome auto-ajuda! Felicidade é o produto da vez! O que deveria ser um estado de espírito construído, agora virou um produto comercial dos mais vendáveis. Seu tu andas comendo o pão que o demo sovou, não te preocupes: haverá uma grande lição que te ensinará a viver melhor depois. 
O mundo anda um saco! Se tu sofres, tu sofres demais. Sim, é proibido sofrer. Não há por que ser deprimido e pessimista. Tu tens a obrigação de ser feliz, otimista e sorridente. Mesmo com pesquisas dizendo que os pessimistas realizam melhor seu trabalho porque esses temem que a coisa dê errado e, sendo assim, fazem tudo para a coisa dar certo. Logo, se eu faço um bom trabalho fico realmente feliz, seu imbecil, que só faz merda e ainda mantém um sorriso no rosto se conformando com um amanhã que poderá ser melhor. Até poderá, bem como tu poderás morrer essa noite. E ainda assim, NÃO SE PODE ser pessimista. É CRIME! Aqui vê-se perfeitamente a lógica da imbecilidade contemporânea. Precisamos ter 'amor próprio'.
Amor próprio é se respeitar, e seguir seus próprios ideais, e principalmente as necessidades do corpo. A  lágrima também é necessária. E pode fazer tão bem quanto um sorriso. Se tu precisas ser feliz todo o tempo, problema é teu. Eu preciso ser eu, COM LICENÇA!
É muita exigência pra tão pouca pessoa. Na verdade, comecei esse texto na intenção de falar das atrocidades físicas e psicológicas cometidas por reacionários que estão na mídia, mas me dei conta também, que a exigência de uma felicidade de plástico é uma das formas mais violentas de reacionarismo. Velado, o que piora a situação.
O mundo tá ficando igual. Vivemos a ditadura da idiotia, da torpeza das frases feitas. O ser humano não reflete mais, ele twitta. Limita-se à tantos caracteres e ponto. Esse tem sido o caminho da nossa evolução: frases prontas e curtas. Sem discussão, sem reflexão. Mas claro, tiraremos, certamente, uma graaaaaande lição disso tudo...


Beju da Gorda!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Como espantar o "Exu tranca-tese"

Depois da DOUTORA GLÁUCIA mostrar ao mundo o que é a verdadeira auto-estima e nos desejar o usofruto da mesma, venho aqui para falar de uma celebridade exemplo de superação: Vera Fischer. Ela supera tudo, mas o que ela sabe fazer com gosto é superar nossas expectativas de que esse mundo possa ter alguma salvação. Assim como sua cara, cada vez mais semelhante a um boneco de cera, Verinha - vou pedir licença para chamá-la assim, afinal, era minha grande "ídola" da infância nos tempos em que ela ainda tinha uma aparência humana, na novela Mandala, ela brilha!
Verinha não é qualquer coisa. A bonita foi miss Brasil e ãh, bom... enfim, ela foi Miss Brasil. Mas não é só isso. Depois de inúmeras internações devido ao mau uso de cocaína, álcool e Felipe Camargo - o mais pesado de seus entorpecentes - Verinha deu a volta por cima e provou que é uma grande mulher (sim, ela está cada vez maior). Pois então, quando vejo amigos surtando para escrever um capítulo de dissertação ou tese, eis que ela surge, ninguém sabe de onde, com 10 livros escritos em apenas um ano. Sim, eu não estou mentindo: 10 LIVROS ESCRITOS À MÃO (porque ela não é muito chegada em nenhuma outra tecnologia que não seja o botox) em apenas um ano. Seria uma página por ruga eliminada? Ou um livro por aplicação de botox? Nada disso queridos e higiênicos leitores, o grande segredo é que ela não consegue mais se expressar de outra forma pois seu rosto, ou melhor, o revestimento externo facial que envolve a toxina botulínica, não permite mais nenhuma outra expressão. Ou seja, ela teve que aprender a "escrever". Sim, entre aspas.
Então, deixo aqui minha dica para os pós-graduandos do mundo que penam para escrever um mísero capítulo: se inspirem em Verinha, a ex-miss - que supostamente leu o Pequeno Príncipe (pelo menos pra constar nos autos) - e virou escritora à jato: procurem imediatamente o cirurgião plástico ou dermatologista mais próximo e sigam rumo à defesa! A banca - e o botox - lhes esperam!
Beju da Gorda

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mandinga do rock

Quem é minimamente fã de rock certamente já ouviu muito Black Sabbath, e seu vocalista comedor de morcego, Ozzy Osbourne. Com uma voz torta e inigualável, beirando ao demoníaco, Ozzy se apresentou durante mísera hora e meia no Gigantinho em Porto Alegre. Uma hora depois do início do show começa, no Gigante, o jogo do INTER.
Parece que a tia velha do rock, com o resto de cérebro que as drogas ainda deixaram, levantou sobre as costas, de cabeça pra baixo, um pano azul e preto. Logo no início do jogo o INTER fez 1 gol. Seria mandinga do tio Ozzy o levantar sobre as costas um pano azul? Lembro-me bem de quando eu era criança e haviam inúmeras histórias com as coisas ao contrário: música da xuxa ao contrário - pacto com o demo! O quadro da menina chorando de cabeça pra baixo - tu vê o tal do demo. Mandinga pra desencalhar? Pega um pobre santo casamenteiro e o deixe de cabeça pra baixo até sair da seca... e por aí vão todas as mandingas de coisas de cabeça pra baixo. Mas seja lá qual tenha sido a intenção do Ozzy-esponja, posso dizer certamente que é a tia-velha do rock mais pé-quente que pisou em solo colorado. 3x0 facinho não é sempre. Salve Mr. Osbourne! Volte sempre, e pode ser de azul que ninguém vai se importar... desde que, claro, seja de cabeça pra baixo!
Beju da Gorda

terça-feira, 1 de março de 2011

Garota Inverno

Hoje meu dia foi um tanto produtivo e agradável. Não dos mais produtivos, ou dos mais agradáveis. Passei o dia sonolenta, comendo cocada, tortinhas e tomando baldes de café ineficientes. Chego em casa, na novela das oito o assunto é aborto. No comercial o assunto é “garota verão”. A mulher da novela decide não mais abortar (como quem decide comer uma cocada ao invés de melancia de sobremesa) porque vai ter uma “menininha cheia-de-babadinhos”, quem sabe uma futura garota verão. Estou lançando aqui um outro concurso de beleza, ou “des-beleza”: Garota Inverno! A garota 'Inverno' se cuida! Se cuida do frio vestindo muita roupa e, de quebra, esconde a nem-sempre-pequena camada de banha localizada na cintura. Também cuida de sua pele quando toma um vinhozinho em frente à TV nas noites frias, para dormir mais tranquilamente, o que lhe dará uma aparência pra-lá-de-saudável no dia seguinte. Sim, salve a Garota Inverno! Possível contratada da 'Dove', a garota inverno aceita SIM suas espinhas e outras erupções cutâneas, afinal, hoje em dia a beleza natural é valorizada então, viva ao brilho na cara, gordura localizada, brancura e celulite!! O que mais acho interessante nos comerciais da beleza "natural”, "própria", "autêntica",  ou seja lá que nome deem a isso, é que eu não me identifico com nenhuma delas. E tampouco me enquadro na beleza das modelos. Mas é engraçado. Para falar do natural, autêntico, etc, eles sempre colocam mulheres, das mais diferentes (esteticamente) em roupas brancas, movimentos suaves e uma leveza indescritível do ser. Assim, logo chego à conclusão que não sou absolutamente nada natural. Como rápido, falo alto, me estresso com facilidade, minhas roupas brancas sempre mancham com molho-de-alguma-coisa e movimentos suaves... só antes do café. E odeio celulite. Desde quando furos na bunda são aceitáveis, agradáveis ou "naturais"?
Beju da Gorda!